Autor: Alexandre Paredes
O amor se sente, simplesmente. Não pode ser
imposto, não pode ser prometido, não pode ser provado. E quando a gente sente
amor, ele transborda, pelo olhar, pelos gestos, pelo jeito.
Mas quando não há amor de fato, presentes caros e
juras de amor são apenas uma tentativa de compensação de algo que está
faltando. Quando alguém quer ser amado, não quer que você lhe dê o mundo, mas
que apenas entregue o seu coração.
Ninguém deveria jurar amor eterno, pois o que a
gente sente em nosso coração e o que o outro sente no seu coração não pode ser
controlado, nem por mim, nem pelo outro.
Mas falo aqui do amor-sentimento ou amor-afinidade,
e não do amor-atitude.
Usamos a mesma palavra para definir sentimentos ou
atitudes distintas. O amor entre companheiros de vida, pressupõe um sentimento
diferente; pressupõe afinidade, parceria, companheirismo, admiração, assim como
a vontade de conviver no dia a dia, vontade de viver lado a lado.
Eu posso até prometer que irei amar uma pessoa para
o resto da vida, mas não tenho como garantir que terei por essa pessoa, daqui a
algumas décadas, o mesmo sentimento que tenho hoje.
Mas posso amar em atitudes, respeitando, querendo o
bem dessa pessoa, fazendo o bem a essa pessoa. Esse amor está ao alcance de
todos. Ainda que nossos sentimentos mudem, que a beleza passe, que a admiração
não seja a mesma, ainda que a forma com que vemos aquela pessoa que amamos um
dia não seja mais a mesma, podemos amá-la em atitudes, mesmo que isto signifique
não permanecer ao lado dela para o resto da vida.
Apenas dizer “eu te amo” não significa que haja
verdadeiro amor. Somente as ações demonstram o amor de quem diz que ama. E
somente em meio às provações da vida é que se atesta que existe amor de fato.
É mais fácil amar alguém quando as condições são
favoráveis. Mais difícil continuar amando em meio às provações da vida, em meio
aos revezes, quando situação financeira não está favorável, quando a beleza já
não é mais a mesma, quando aparecem os problemas de saúde ou quando o ser amado
não passa por um bom momento. Mas são esses momentos que testam se há amor de
verdade.
Na convivência do cotidiano é que vamos aprendendo
a amar de fato, quando deixamos de ver o outro de forma idealizada e passamos a
ver a pessoa real que convive conosco. Às vezes, quando cai a fantasia da visão
idealizada que se tinha do outro, diz-se que o amor acabou. Na verdade, nesse
caso, o que ocorre é que o amor que se tinha era pela pessoa idealizada, e não
pela pessoa real.
O amor é real quando amamos aquela pessoa que está
do nosso lado como ela é, e não como gostaríamos que ela fosse. São muitos os
casais em que uma das partes permanece ao lado do outro imaginando que poderá mudá-lo.
As pessoas só mudam quando querem, quando podem, quando conseguem, e não quando
nós assim o exigimos.
O amor é uma força natural que existe em nós. Todos
nascemos para amar e com o desejo de sermos amados. Porém, a única coisa que
podemos fazer é amar, cuidar dos nossos afetos como se cuida de uma sementeira,
de um jardim ou de uma plantação. Precisamos adubar, regar, deixar que o sol os
ilumine. Sem isso, o relacionamento se perde por desnutrição.
Mas também não há como garantir que cuidando,
amando e nutrindo, o outro permanecerá ao nosso lado. Da mesma forma, todo o
cuidado que tivermos com nossa plantação não garante a colheita, pois existem
condições que não dependem de nós, como as condições do tempo, o ciclo de
chuvas e de estiagem.
Então, só nos resta semear e cuidar, amando e
aprendendo a amar, na certeza de que um coração que aprendeu a amar encontrará
amor.

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