quarta-feira, 8 de abril de 2026

Amor a Dois

Autor: Alexandre Paredes 








O amor se sente, simplesmente. Não pode ser imposto, não pode ser prometido, não pode ser provado. E quando a gente sente amor, ele transborda, pelo olhar, pelos gestos, pelo jeito.

 

Mas quando não há amor de fato, presentes caros e juras de amor são apenas uma tentativa de compensação de algo que está faltando. Quando alguém quer ser amado, não quer que você lhe dê o mundo, mas que apenas entregue o seu coração.

 

Ninguém deveria jurar amor eterno, pois o que a gente sente em nosso coração e o que o outro sente no seu coração não pode ser controlado, nem por mim, nem pelo outro.

 

Mas falo aqui do amor-sentimento ou amor-afinidade, e não do amor-atitude.

 

Usamos a mesma palavra para definir sentimentos ou atitudes distintas. O amor entre companheiros de vida, pressupõe um sentimento diferente; pressupõe afinidade, parceria, companheirismo, admiração, assim como a vontade de conviver no dia a dia, vontade de viver lado a lado.

 

Eu posso até prometer que irei amar uma pessoa para o resto da vida, mas não tenho como garantir que terei por essa pessoa, daqui a algumas décadas, o mesmo sentimento que tenho hoje.

 

Mas posso amar em atitudes, respeitando, querendo o bem dessa pessoa, fazendo o bem a essa pessoa. Esse amor está ao alcance de todos. Ainda que nossos sentimentos mudem, que a beleza passe, que a admiração não seja a mesma, ainda que a forma com que vemos aquela pessoa que amamos um dia não seja mais a mesma, podemos amá-la em atitudes, mesmo que isto signifique não permanecer ao lado dela para o resto da vida.

 

Apenas dizer “eu te amo” não significa que haja verdadeiro amor. Somente as ações demonstram o amor de quem diz que ama. E somente em meio às provações da vida é que se atesta que existe amor de fato.

 

É mais fácil amar alguém quando as condições são favoráveis. Mais difícil continuar amando em meio às provações da vida, em meio aos revezes, quando situação financeira não está favorável, quando a beleza já não é mais a mesma, quando aparecem os problemas de saúde ou quando o ser amado não passa por um bom momento. Mas são esses momentos que testam se há amor de verdade.

 

Na convivência do cotidiano é que vamos aprendendo a amar de fato, quando deixamos de ver o outro de forma idealizada e passamos a ver a pessoa real que convive conosco. Às vezes, quando cai a fantasia da visão idealizada que se tinha do outro, diz-se que o amor acabou. Na verdade, nesse caso, o que ocorre é que o amor que se tinha era pela pessoa idealizada, e não pela pessoa real.

 

O amor é real quando amamos aquela pessoa que está do nosso lado como ela é, e não como gostaríamos que ela fosse. São muitos os casais em que uma das partes permanece ao lado do outro imaginando que poderá mudá-lo. As pessoas só mudam quando querem, quando podem, quando conseguem, e não quando nós assim o exigimos.

 

O amor é uma força natural que existe em nós. Todos nascemos para amar e com o desejo de sermos amados. Porém, a única coisa que podemos fazer é amar, cuidar dos nossos afetos como se cuida de uma sementeira, de um jardim ou de uma plantação. Precisamos adubar, regar, deixar que o sol os ilumine. Sem isso, o relacionamento se perde por desnutrição.

 

Mas também não há como garantir que cuidando, amando e nutrindo, o outro permanecerá ao nosso lado. Da mesma forma, todo o cuidado que tivermos com nossa plantação não garante a colheita, pois existem condições que não dependem de nós, como as condições do tempo, o ciclo de chuvas e de estiagem.

 

Então, só nos resta semear e cuidar, amando e aprendendo a amar, na certeza de que um coração que aprendeu a amar encontrará amor.


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