terça-feira, 21 de abril de 2026

Forma e Fôrma

Poema de: Alexandre Paredes 













O mal se forma entre a forma e a fôrma

Quando a mente desmente a palavra

Abobalhada no verniz da própria bolha

Criada para enganar a alma malcriada

 

Com risos ela esconde rios de lágrimas

Ocultas por trás de muitas falas cultas

Que dão de ombros e de mãos dadas

Andam com o despeito e as disputas

 

A essência nunca dá aquiescência

À figura que fulgura desfigurada

Desvirtuada da virtude e inocência

Condenada ao enfado e malfadada

 

Não tem como ser ensinada sua sina

Só moldada por escolhos e escolhas

Revelada por entre as runas e ruínas

E despistada em meio a rotas rôtas

 

Já se fora o que um dia veio de fora

Já não tem voz o que não está em vós

Ora, não mais ouvis o outro de outrora

Só o silêncio de quando estais a sós

 

O que entra pelo ouvido cai no olvido

Se não parte do coração que toma parte

De toda pureza que não toma partido

De toda arte sentida que em nós arde

 

Consciência não é estar com Ciência

Quem apenas sabe nem sempre sobe

É sentir dando sentido à existência

É viver e morar onde não se morre

 

O que está por trás é o que se traz

É o que nos leva a nos tornar leves

Despidos das faces que a gente faz

Máscaras de ferros com que te feres

 

Desnudos do aparato da aparência

Somos apenas nós sem casca de noz

Em vão muitos vão buscar reverência

Enquanto velam o mundo que passa veloz

 

A tua verdade é força, nunca força

Ela se desvela como vela no escuro

Ainda que da poça você só possa

Ver a lama ou do poço o seu fundo

 

Está tudo bem se não está tudo bem

Aceitar-se é sempre a melhor receita

Pra sair do lado do lodo e, alado, ir além

Refazer a sua história, de aura refeita

 

Sê luz, pois serás sempre ex do que és

Já não importa o que a gente importa

Serás sempre mares, apesar das marés

E de estares envolto no que não volta

 

Tendes a ser o que tendes de melhor

A vossa natureza, aquilo que sois: sóis

Vossa couraça e cor que sabeis de cor

Se desfazem atrás do que já foi atroz

 




Nenhum comentário:

Postar um comentário