Poema de: Alexandre Paredes
O mal se forma entre a forma e a fôrma
Quando a mente desmente a palavra
Abobalhada no verniz da própria bolha
Criada para enganar a alma
malcriada
Com risos ela esconde rios de
lágrimas
Ocultas por trás de muitas falas
cultas
Que dão de ombros e de mãos dadas
Andam com o despeito e as disputas
A essência nunca dá aquiescência
À figura que fulgura desfigurada
Desvirtuada da virtude e inocência
Condenada ao enfado e malfadada
Não tem como ser ensinada sua sina
Só moldada por escolhos e escolhas
Revelada por entre as runas e
ruínas
E despistada em meio a rotas rôtas
Já se fora o que um dia veio de
fora
Já não tem voz o que não está em
vós
Ora, não mais ouvis o outro de
outrora
Só o silêncio de quando estais a
sós
O que entra pelo ouvido cai no
olvido
Se não parte do coração que toma
parte
De toda pureza que não toma partido
De toda arte sentida que em nós
arde
Consciência não é estar com Ciência
Quem apenas sabe nem sempre sobe
É sentir dando sentido à existência
É viver e morar onde não se morre
O que está por trás é o que se traz
É o que nos leva a nos tornar leves
Despidos das faces que a gente faz
Máscaras de ferros com que te feres
Desnudos do aparato da aparência
Somos apenas nós sem casca de noz
Em vão muitos vão buscar reverência
Enquanto velam o mundo que passa
veloz
A tua verdade é força, nunca força
Ela se desvela como vela no escuro
Ainda que da poça você só possa
Ver a lama ou do poço o seu fundo
Está tudo bem se não está tudo bem
Aceitar-se é sempre a melhor receita
Pra sair do lado do lodo e, alado, ir
além
Refazer a sua história, de aura
refeita
Sê luz, pois serás sempre ex do que
és
Já não importa o que a gente
importa
Serás sempre mares, apesar das
marés
E de estares envolto no que não
volta
Tendes a ser o que tendes de melhor
A vossa natureza, aquilo que sois:
sóis
Vossa couraça e cor que sabeis de cor
Se desfazem atrás do que já foi
atroz

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