Poema de: Alexandre Paredes
Minha armadura já não me veste mais
Seu puro aço somente espelha e reluz
O falso brilho que o mundo sempre traz
Mas, por dentro, me enrijece e me reduz
Minhas máscaras pesavam em meu rosto
Elas se pareciam com algo sobre-humano
Mas apenas disfarçavam a dor e o desgosto
E se sustentavam pela força do autoengano
Minha fortaleza era apenas casca dura
Que ocultava minha interna fragilidade
Cerrada, guardava minha sombra escura
Não permitindo entrar a luz da verdade
A ferida gritou mais alto que meu orgulho
Precisei parar um pouco e olhar para ela
Desconectar-me do externo e seu barulho
Descobrir quem sou e quem eu já não era
Numa viagem para dentro, sem escalas
Sem mentiras, ilusões, abri meu coração
Não levei armas nem arrumei as malas
Apenas passei a ver as coisas como são
Reconheci medo, comparação e trauma
E ainda os erros que escondi até de mim
Mas também tanta semente em minh’alma
De potencialidades e de uma paz sem fim
Lembrei quantas vezes me senti diminuído
Porque nunca me achava bom o suficiente
E assim dava ouvidos a alguém mal resolvido
Que despejava sua amargura sobre a gente
Visando atender às expectativas do outro
Seja ele pai, mãe, amores ou toda sociedade
Afastei-me de mim mesmo pouco a pouco
Buscando perfeição, encontrei só ansiedade
Perfeccionismo não me levou a ser melhor
Só me aprisionou no velho medo de errar
Me fez cego perante o valor do meu suor
Importava o resultado e o que iriam pensar
Passei a aceitar-me com toda a imperfeição
Pois o mais divino em mim é que sou humano
Então, acolhi-me por inteiro, luz e escuridão
Sem desalento, mas também sem passar pano
Entendi que não sei tudo, mas posso aprender
Percebi que, se errei, fazia parte do processo
Porque se tropecei, isso me fez amadurecer
E dei mais um passo no caminho do progresso
Descobri que, se não estou bem, tudo bem
Cada dia é sempre uma nova oportunidade
Para tentar algo diferente, superar, ir além
E viver com mais alegria, leveza, serenidade
Essa viagem interior que parecia tão penosa
Revelou-se caminho de autodescobrimento
Em vez de me perseguir, estendi mão generosa
À criança interior, que cresce a cada momento
E assim, desvelei uma força que não se esgota
A alegria de poder ser quem realmente sou
O que pensam a meu respeito já não importa
Pois, agora, de mim para comigo só cabe amor
