quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Tempo de Extremos

Poema de: Alexandre Paredes


Tempo de extremos e de extremistas
Ninguém escuta, todo mundo grita
Todo mundo fala, todo mundo opina
Uns apontam para a esquerda a solução
Outros acenam para a direita, em vão
Se não aprendermos a olhar para cima

Toda doutrina, teoria, partido ou igreja
Toda ideologia, por mais bela que seja
Fracassa diante do interesse pessoal
Sucumbe diante do egoísmo, do mal
Que existe dentro de cada ser humano
E só combatê-lo fora é grande engano

Belo ornamento é a palavra sem ação
O querer ensinar sem aprender a lição
Quem prega respeito desrespeitando
Quem combate a violência violentando
Brada, briga, despende energia a esmo
Pois é só mais uma variação do mesmo

É só a renovação da velha hipocrisia
Que veste os homens na mesma fantasia
De defender a ética feita para os outros
E fazer valer justiça somente para poucos
Tornando-os cegos perante os seus erros
E indiferentes ao mundo e seus desterros

Vivemos num tempo de muitos direitos
Escritos em códigos e leis, em várias línguas
Mas que não são suficientes para dar jeito
Nas tantas mesas que se encontram vazias
Não dão conta de aplacar o vazio e a dor
Gerados pelo desespero e a fome de amor

Nada se consegue vencendo discussão
Prosperidade é fruto do trabalho e união
De todo um povo em torno do bem comum
A vitória não vem somente das mãos de um
Mas das mãos que se dão em torno da gente
Aprendendo a conviver com que vê diferente
  
Se queres convencer alguém, exemplifica
Se procuras um mundo melhor, edifica
Perante a injustiça e o mal, não te cales
Diante da luta da vida social, não te afastes
Mas, perante o intolerante, tolera, silencia
Se queres o bem ao teu redor, vivencia