domingo, 23 de março de 2025

Médico das Almas



 









Jesus continua sendo o médico das almas e sua mensagem será sempre um imenso farol diante das mais variadas situações da nossa vida.


A vida te deu uma rasteira.

“Levanta-te e anda” (João 5:8).

 

Não sabes o que fazer.

“Fazei aos homens tudo o que quereis que eles vos façam” (Mateus 22:34 a 40).


“Ama a teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37 a 39).

 

Diante do desânimo.

Vinde a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). 

“Não se turbe vosso coração”: “Há muitas moradas na casa de meu pai” (João 14:2 e 4).

 

Mágoas te rondam o coração.

“Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; – mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados” (Mateus 6:14 e 15).

 

Ansiedade e preocupação.

“Não vos inquieteis pelo dia de amanhã”. “A cada dia basta seu mal” (Mateus 6:34).

 

“Olhai os lírios do campo; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pouca fé!” (Lucas 12:27-31).

 

“Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?" (Mateus 6:26 a 34).


Problemas intrincados e complexos.

“Se tivésseis a fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível” (Mateus 27:14 a 20).

 

Perdeste o rumo.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (João 14:6).

 

Inquietações pelas coisas do mundo.

“Portanto, não busqueis as coisas deste mundo, mas buscai primeiro edificar o reino de Deus, e estabelecer a sua retidão, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:38).

 

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas, tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

 

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. — Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram!” (Mateus, 7:13 e 14).

 

“Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede (João 6:35)”.

 

Sofrestes desilusões.

“A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14:27).

 

Perante os abusos ou violências dos outros e do desejo de revide.

“Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra” (Mateus 5:5).

 

“Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:5).

 

“Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada morrerão pela espada” (Mateus 26:51-52)

 

Diante do desespero.

“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto quem pede recebe e quem procura acha, e àquele que bata à porta, abrir-se-á.”


“Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? — Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? — Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem?” (Mateus 7:7 a 11.).

 

Aos que se perderam no caminho, sentem-se indignos ou sofrem por culpa.

“Eu digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se (Lucas 15:1-7).

 

Aos que foram vítimas de injustiça.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:6).

 

Estás em busca de reconhecimento ou de projeção social.

“Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus” (Mateus 6:1 a 4).

 

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus (Mateus 5:3)”.

 

Aflições e misérias da vida.

“Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mateus 5:4).

 


Compilação: Alexandre Paredes

sábado, 15 de março de 2025

Naturalismo

Artigo de: Alexandre Paredes 








Existem vários significados para Naturalismo, mas a ideia que queremos abordar aqui refere-se ao modo de vida naturalista, geralmente associado a práticas que visam a uma boa saúde.

 

Qual o conceito de natural? Tudo que é natural é melhor do que o artificial ou sintético? Aquilo que, costumeiramente, denominamos Naturalismo é bom? Sempre? E o que é, exatamente, o “Naturalismo”? Não existe uma definição clara e única para esse termo, mas vamos tentar responder a essas questões.

 

Tomemos como exemplo a água. A água que bebemos é natural? Não. Ela é filtrada, para eliminar vermes, parasitas e bactérias. Além disso, antes de chegar às nossas casas, a água que bebemos passa por um tratamento em diversas etapas, que incluem o uso de elementos químicos, como cloro, ozônio e flúor, que, apesar de eliminar micro-organismos nocivos, podem causar alguns efeitos menores indesejáveis à nossa saúde.

 

Se estivermos perdidos na natureza, numa selva por exemplo, e resolvermos beber a água “natural” que corre num determinado rio qualquer, esta simples atitude, a depender das condições desse rio, pode nos levar à morte, devido à contaminação por alguma bactéria ou parasita.

 

Então, nesse simples exemplo que faz parte da nossa vida diária podemos perceber que nem tudo o que é natural é bom. E o uso da inteligência pelo ser humano no trato com a natureza, com a aplicação constante de novas tecnologias, é o que lhe permitiu prosperar como espécie.

 

Há quem fume maconha e acredite que ela não faz nenhum mal, por ser uma planta, por ser “natural”. Uma distorção, certamente. A natureza está repleta de frutos venenosos e plantas que fazem mal à saúde. Então, mais importante do que ser o não ser natural é buscarmos aquilo que nos faz bem, e a viver em harmonia com a Natureza e com a nossa natureza humana.

 

Sementes, grãos e castanhas, por exemplo, precisam ser cozidos ou torrados, além de deixados de molho, no caso dos primeiros, porque contêm toxinas e antinutrientes, que, entre outros problemas, prejudicariam a absorção de vitaminas e sais minerais pelo nosso organismo caso fossem consumidos in natura. O cozimento de alimentos não é um processo natural, mas foi uma tecnologia que veio junto com o domínio do fogo pelo homem ainda primitivo, o qual possibilitou que a humanidade evoluísse.

 

Nossas casas e cidades não são naturais. São obra da engenhosidade humana. As cidades bem estruturadas têm saneamento básico, que é uma tecnologia a serviço da higiene e da prevenção de doenças, permitindo que a população humana se multiplicasse ao longo dos séculos.

 

Aplicamos em nossas casas serviços de eliminação de insetos e animais indesejados, por meio de venenos. Talvez, futuramente, conseguiremos encontrar uma tecnologia melhor para evitar que ratos, escorpiões e baratas infestem nossos lares. Mas, até que isso aconteça, usamos esse processo nada natural para afastá-los.

 

Após alguns milênios de evolução da civilização, conseguimos manter nossas casas protegidas de animais e feras. Porém, por mais que as feras sejam assustadoras, o animal que mais produz doenças e mortes de seres humanos ainda é o mosquito. Mesmo assim, a situação da humanidade atual já é bem melhor do que a de tempos remotos, quando éramos bem mais afetados por esses pequenos seres da natureza.

 

Vacinas e antibióticos não são naturais. São obra da Ciência, do trabalho e da inteligência humanas. E salvam milhões de vidas. Antigamente, populações inteiras eram dizimadas ou incapacitadas pela varíola, peste bubônica, gripe espanhola, tuberculose, poliomielite, meningite, entre tantas outras doenças.

 

E tem muita gente que é contra vacinas, por motivos nada racionais. Não raro, parte dessas pessoas vai correndo à farmácia para comprar o antibiótico, o anti-inflamatório, o analgésico, tão antinaturais quanto as vacinas, além de se automedicarem com remédios inúteis ou que não têm nenhum efeito contra o problema que estão enfrentando. Porque preferem manter-se na ignorância.

 

Há quem busque medicamentos naturais em ervas e chás. Muito louvável e, em diversos casos, são excelentes remédios para restaurar a saúde e acarretam menos efeitos colaterais indesejáveis, ou nenhum. Mas existem, também, muitos remédios fitoterápicos pouco eficazes para o problema que a pessoa doente está enfrentando.

 

E quando a pessoa tem uma condição clínica grave, o tratamento com ervas naturais acaba por fazer com que ela demore a procurar um médico, levando ao agravamento da situação e a um tratamento tardio, tornando a cura ou o controle do quadro mais difícil.

 

O grande problema de tratamentos à base de ervas e chás não é, exatamente, o consumo dessas substâncias. Ocorre que, geralmente, quem as utiliza ou as indica não é um profissional médico, habilitado a diagnosticar. Sem diagnóstico, podemos estar usando, por exemplo, um chá para “desinchar”, e, no entanto, termos um problema renal ou linfático grave, para o qual o uso dessas substâncias poderá ser inócuo ou até prejudicial.

 

Sem diagnóstico, poderemos utilizar uma erva ou determinado chá como anti-inflamatório e estarmos diante de um quadro de trombose, que, se não for tratado adequadamente e com urgência, poderá levar a pessoa a óbito.

 

Se as ervas e chás têm alguma ação química, são medicamentos e, como tal, necessitariam de uma prescrição médica, pois quem não é médico não é habilitado para avaliar se aquela substância trará algum prejuízo para a saúde do paciente ou se não fará nem bem nem mal.

 

Porém, se a substância que a pessoa utiliza não tem ação química, mas algum outro tipo de ação desconhecido pela Medicina convencional, é muito proveitoso lançar mão desse tipo de terapia, como coadjuvante, e não como terapia única nem como “alternativa” ao tratamento consagrado pela Ciência, pois as terapias integrativas e a Medicina convencional não devem ser vistas como concorrentes entre si, mas complementares.

 

Muitas vezes, associamos o “naturalismo” a um modo de vida que considera essencial uma alimentação natural e ao não uso de substâncias sintetizadas, criadas artificialmente pelo homem para medicar, aliviar sofrimentos e curar doenças. Mas, em que pese essa ênfase naquilo que ingerimos, o “naturalismo” que se vê normalmente desconsidera que a nossa vida é artificial.

 

A luz elétrica mudou completamente a dinâmica da vida do homem moderno, e com certeza deve ter afetado também sua dinâmica cerebral. Na vida natural, o homem primitivo trabalhava à luz do dia, enquanto havia Sol, e dormia de noite. A partir do momento em que a luz artificial tomou conta de nossas vidas, assim como a interação com os aparelhos eletrônicos, como televisão, computador e celular, o nosso cérebro interpreta que não é hora de dormir – imagino eu, leigo no assunto.

 

Mesmo não sendo especialista no assunto, é de se supor que a luz artificial modificou a dinâmica do nosso sono, ou da falta dele, mudou a dinâmica da nossa química cerebral. E não tem muito como voltar atrás. Mal entramos no mundo e já estamos hiperconectados, trabalhamos ou estudamos em horários noturnos, em horários que antigamente, na vida natural, estaríamos dormindo.

 

Fico imaginando o quanto essa forma de vida não natural que a luz elétrica proporcionou pode estar afetando nossa saúde mental e a saúde como um todo, levando-nos a estados de ansiedade tão característicos da vida moderna. Mas não temos dados científicos sobre o assunto para afirmar qualquer coisa nesse sentido.

 

Com a invenção dos automóveis, motocicletas, trens e aviões, usamos menos nossas pernas para nos locomovermos. Gastamos menos energia. O homem antigo usava mais de suas forças físicas para o trabalho, o que regulava melhor seu peso corporal e auxiliava a evitar o excedente de gordura ou glicose em seu metabolismo. Junte-se a isso o fato de nossa alimentação estar cada vez mais calórica, mais gordurosa, mais pobre de nutrientes, e temos a obesidade como um problema global.

 

A vida laboral moderna, não raro, contém mais atividades intelectuais, em que o profissional fica sentado o dia inteiro diante de um computador, situação que agrava o problema da obesidade e todo o quadro de comorbidades decorrentes dessa condição.

 

Não é preciso muito esforço para constatar que a alimentação moderna está cada vez mais dependente dos alimentos industrializados, ultraprocessados, com excesso de aditivos químicos, para conservar o alimento por mais tempo nas prateleiras, para dar mais sabor ao produto (e mais calorias, com certeza). Não bastasse isso, quando buscamos alimentos mais “naturais”, como frutas e hortaliças, desconhecemos que aqueles produtos foram cultivados com uma enorme quantidade de agrotóxicos, que, com certeza, afetam nossa saúde.

 

Não há dúvidas de que uma alimentação mais natural, sem agrotóxicos, sem tanto processamento, sem tantos conservantes, aditivos químicos, adição de açúcares, é uma alimentação mais saudável. Porém, aqueles que pregam um naturalismo baseado tão somente no que ingerimos pela alimentação têm uma visão incompleta sobre tudo o que afeta nossa saúde.

 

O mesmo raciocínio se aplica à excessiva ênfase que se dá ao que ingerimos na forma de medicamentos. Há quem evite tomar medicamentos sintetizados em laboratório por acreditarem que eles fazem mal à saúde, e preferem usar ervas ou terapias consideradas “naturais”. Toda medicação química, que têm um princípio ativo, pode ter efeitos colaterais indesejados. Mas, na maioria das ocasiões, a opção pela medicação química é feita pesando os benefícios e os malefícios.

 

Quando uma pessoa sofre, por exemplo, de Diabetes, o uso da insulina e outros medicamentos, da forma correta, é necessário e infinitamente menos danoso do que a própria doença. Uma doença como essa pode acarretar sérios problemas à pessoa que a adquiriu, como insuficiência renal, amputações e até a morte. Então, não faz sentido alguém evitar tomar tais medicações, já que elas estão disponíveis, sob pretexto de que o tratamento não é “natural”.

 

As condições da nossa sociedade que favorecem as pessoas a adquirirem Diabetes não são nada naturais. Nossa alimentação é carregada de adição de açúcares, há muitos carboidratos disponíveis em pães, pizzas, massas, além de muitos alimentos prontos, industrializados, carregados de sódio, conservantes, corantes, acidulantes e excesso de calorias. Isso tudo, aliado ao sedentarismo da vida moderna, em alguma medida, favorece a Diabetes.

 

Mas a Diabetes já existia em outras épocas, porque há outros fatores, como, por exemplo, a genética, que leva alguém a ter essa doença, ou seja, sem nenhuma relação com a alimentação moderna. A diferença é que, no passado, as pessoas viviam com a doença sem ter muitos recursos para sobreviver a ela. Então, a Ciência e a Medicina devem ser consideradas um grande benefício para a humanidade.

 

Assim, antes que a pessoa diga “Ah, não! Terei que tomar esta ou aquela medicação para o resto da minha vida”, deveria dizer “Graças a Deus e graças ao labor de muitas pessoas da Ciência, tenho um medicamento que pode aliviar meu sofrimento, melhorar minha qualidade de vida e prolongar minha vida”.

 

Esse tipo de raciocínio se aplica muito também em relação a doenças de aspecto mental ou emocional. Existe um estigma social relacionado a essas doenças, além da ideia de que a medicação para as tratar alteraria a essência da pessoa ou, ainda, que tomar medicação para um distúrbio psíquico seria uma espécie de admissão de fracasso perante a vida, admissão de um tipo de fraqueza diante dos problemas, dos obstáculos, das aflições, ou de falta de fé, ou de falta de Deus na própria vida.

 

É interessante que não costumamos ter essa mesma forma de estigma para com uma pessoa que, por exemplo, usa óculos, que precisa usar muletas devido a uma lesão óssea ou muscular, ou que precisa usar aparelho ortodôntico. Aliás, todos esses tratamentos não são naturais, mesmo porque não haveria nenhuma planta ou prática tida por natural que pudesse curar ou amenizar esses males.

 

Alguém que sofre de miopia não é considerada uma pessoa fraca de caráter porque tem um problema de visão, nem damos conselhos para ela no sentido de tentar ver a vida com “bons olhos” ou de buscar a própria cura com a fé ou indo mais à Igreja.

 

Essa pessoa tem a necessidade de usar óculos, simplesmente. Da mesma forma, não cabe recomendar a uma pessoa com Depressão que veja a beleza da vida ou que tenha pensamentos positivos, porque se trata de uma doença que afeta a percepção da pessoa a respeito dos acontecimentos, uma doença que afeta justamente nossa forma de pensar e de sentir. Na miopia, o órgão afetado é a visão, enquanto na depressão, é o cérebro, o sistema nervoso como um todo, além da mente.

 

A pessoa com Depressão apresenta um distúrbio neuroquímico, que afeta sua vitalidade, sua forma de sentir prazer, sua forma de enxergar as situações da vida, além de afetar a digestão, a respiração e o sono. Da mesma forma que a pessoa míope não conseguirá enxergar melhor por simples ação de pensamentos positivos, o mesmo acontece com a pessoa deprimida. Ela precisa de medicação, além de tratamento psicológico.

 

Há quem diga que medicação psiquiátrica é uma muleta psicológica – como se a muleta fosse desnecessária. Quando alguém sofre uma fratura no fêmur, não a julgamos por ter de usar muletas, enquanto se recupera. Há problemas que levam a pessoa a precisar de usar muletas pelo resto da vida, e isso não é nenhum demérito para a pessoa; é uma necessidade.

 

Pois bem, o mesmo acontece com determinadas patologias mentais. A diferença é que, quando temos uma patologia que afeta nosso estômago e tomamos uma medicação para aliviar esse sofrimento ou curar a doença, isto não é digno de nota ou estigma social como ocorre com uma doença que afeta o cérebro ou a dinâmica da química cerebral.

 

Curiosamente, aqueles que defendem tratamentos naturais, recomendam chás e ervas calmantes para pessoas com problemas ligados à saúde mental, como ansiedade ou insônia, por exemplo, como se houvesse uma aprovação tácita, quase moral, para o uso dessas substâncias nessas situações, enquanto se demonizam as substâncias sintéticas.

 

Aliás, existem muitas ervas excelentes para acalmar e aliviar a insônia. O mesmo já não se pode dizer sobre a Depressão. Existem ervas, chás, dietas, práticas de meditação e até exercícios físicos que são bons coadjuvantes para aliviar o problema, mas somente a psicoterapia aliada a medicamentos são realmente eficazes.

 

Se substâncias naturais são indicadas para sofrimentos psíquicos ou nos nervos, por que uma substância sintetizada é estigmatizada? Diremos que é por conta dos efeitos colaterais indesejados. De fato, eles existem mesmo. Mas, como já dissemos anteriormente, há situações em que os efeitos colaterais indesejáveis são muito menos danosos do que a doença em si e as consequências dessa doença na vida do indivíduo.

 

Alimentos mais naturais, menos processados, sem dúvida redundam em mais saúde, mais bem-estar e qualidade de vida, assim como terapias que não produzem efeitos colaterais indesejados são muito boas. Mas não se podem esquecer os demais fatores que interferem em nossa saúde e bem-estar.

 

Pouco adianta ingerir alimentos que protejam nossa saúde se a nossa saúde mental é totalmente afetada por um estilo de vida completamente “antinatural”, se, no trabalho, nos é exigido o cumprimento de metas absurdas, se vivemos de uma forma em que desrespeitamos os limites naturais do nosso corpo, se nossa forma de viver nos adoece, em suma.

 

Viver uma vida natural implicaria estar em harmonia com as leis da natureza, e não somente preocupar-se com nossa alimentação ou medicamentos que ingerimos, mas respeitar a necessidade de descanso tanto quanto a necessidade de trabalho, ter bons hábitos de vida, como prática de exercícios e meditação, ter uma vida social saudável, ter um ambiente de trabalho saudável, viver dentro de uma sociedade sadia, ter bons relacionamentos afetivos.

 

É ainda utópico falar de uma vida em uma sociedade sadia. Como não temos poder para mudar, sozinhos, a sociedade, atemo-nos àquilo que podemos fazer individualmente por nós. Então, voltamos nossas forças àquilo que é mais passível de ser controlado, como aquilo que ingerimos, mas, enquanto isso, a sociedade nos adoece, e nossa saúde mental é, muitas vezes, relegada ao segundo plano.

 

Seria ótimo se a alimentação natural e o uso de terapias consideradas naturais resolvessem todos os nossos problemas de saúde, mas não é essa a realidade. Podemos dizer que essa parte é apenas uma pequena fração daquilo que afeta nossa saúde.

 

Do ponto de vista social, temos uma multidão de situações que afetam significativamente nossa saúde, sobre as quais temos pouca governabilidade como indivíduos: a poluição do ar, dos rios e oceanos; os microplásticos que ingerimos sem termos consciência, por conta dessa poluição; as relações abusivas entre patrões e empregados, em que, muitas vezes, o trabalhador é submetido a jornadas exaustivas e a prazos inexequíveis; o estresse causado pelo trânsito, pela violência nas grandes cidades, pelo desemprego; a mentalidade coletiva de seguirmos padrões estéticos antinaturais e inalcançáveis; as exigências sociais por atingirmos modelos de perfeição no comportamento, seja no trabalho ou nas relações com as demais pessoas; a ideia moderna, e ilusória, de que o bom profissional é aquele que faz várias atividades ao mesmo tempo e que está disponível até de madrugada; apenas para darmos alguns exemplos.

 

Da mesma forma, nossa saúde mental é pouco considerada para fins de nossa saúde como um todo, a não ser quando a Ciência vem falar dos benefícios da ingestão de substâncias com nomes difíceis, como o triptofano, presentes na banana ou em amêndoas, e a niacina, que auxilia o funcionamento normal do sistema nervoso, ou quando vem afirmar sobre o aumento dos níveis de oxitocina quando entramos num ambiente natural, como uma linda cachoeira ou uma trilha arborizada. Coisas desse tipo.

 

Ainda tratamos a questão da saúde mental com um enfoque demasiado naquilo que ingerimos ou em hábitos que são mais acessíveis ao nosso controle, como prática de exercícios físicos, meditação e exercícios respiratórios. Não aprendemos a lidar com nossas emoções. Não nos ensinaram isso nas escolas, porque, para muitos, essas questões emocionais, psicológicas, devem ser ensinadas pela família ou são da esfera da religião ou da espiritualidade.

 

O problema é que há muitas famílias disfuncionais, que, em vez de ensinarem a criança a lidar bem com suas emoções, sua autoestima, a terem bons relacionamentos, acabam por serem o principal gerador das suas disfunções psicológicas. Basta lembrarmos das violências domésticas, dos relacionamentos abusivos, da rejeição e do abandono, da falta de carinho, de amor e da negligência na educação.

 

E aí se torna quase uma bobagem falar de triptofano ou ocitocina quando uma pessoa vive uma verdadeira tragédia na sua vida psicológica, quando, por exemplo, tenha sido vítima de abuso sexual ou vivido uma infância repleta de maus tratos, abandono e negligência. É lógico que a alimentação ajuda, que recursos como exercícios físicos e meditação ajudam. Dicas de autoajuda ajudam, espiritualidade e boas amizades ajudam, mas a saúde mental é uma questão demasiadamente complexa e individualizada para termos soluções simples, fáceis, genéricas e universais.

 

Creio eu que essa ênfase que damos ao alimento que ingerimos ou à medicação sintética que evitamos, ou a esta ou aquela prática exterior, é mais um mecanismo de fuga do ego, o mesmo mecanismo que faz com que uma pessoa sofra demais por excesso de controle de tudo o que lhe é externo: o excesso de controle da agenda, o excesso de rigor da alimentação, o excesso de rigor nos exercícios físicos. Tudo que é excessivo é sinal de algum mecanismo de compensação, alguma disfunção psicológica.

 

A disciplina é importante em nossa vida, para chegarmos a algum lugar. Sem força de vontade, metas e disciplina dificilmente alcançamos algum objetivo. Mas quando o controle é excessivo, ele revela que há coisas dentro de nós, nossas emoções, que são muito difíceis de controlar. Então, colocamos todo nosso foco em controlarmos aquilo que nos é externo, porque é mais palpável, é mais fácil de controlar e, portanto, confortador.

 

Para muitas pessoas, ter uma alimentação natural, vai muito além da questão de saúde. Tem a ver com não sacrificar animais e não os fazerem sofrer. De fato, esta opção de vida é nobre e revela uma ética elevada e uma grande capacidade de desprendimento. Porém, ocorre também a situação de pessoas que caem no engodo de se sentirem superiores às demais por terem esse estilo de vida e de alimentação. Caem na armadilha de se sentirem mais “puras”, porque se alimentam corretamente, enquanto não tratam a humanidade com tanto respeito e amor como tratam os animais.

 

Ou seja, em muitas ocasiões, são pessoas que passam por um mecanismo de fuga do ego, que lhes traz um conforto de estarem se alimentando corretamente, porque aquilo que elas ingerem é mais fácil de controlar do que as ansiedades e angústias que sofrem interiormente, decorrentes de problemas relacionados com os seres humanos e consigo mesmo.

 

Quando o que entra pela boca se torna mais importante do que o que sai da boca, temos aí uma inversão, pois passamos a dar mais valor a procedimentos externos, em vez de valorizarmos aquilo que cultuamos em nosso coração. Não foi sem razão que Jesus fez uma advertência aos fariseus e ensinou aos seus discípulos que o que macula o homem não é o que entra pela sua boca, mas o que sai, pois o que sai da boca é o que procede do coração, e é do coração que partem os latrocínios, os assassinatos, os adultérios (...) (Mateus 15:11), o mal, em suma.

 

Não se devem analisar essas palavras de forma absoluta, tomadas ao pé da letra. Mas é importante pensar que, de algum modo, algumas pessoas podem estar valorizando excessivamente aquilo que entra pela boca, na forma de alimentação ou de medicamentos, como se fosse uma forma de “pureza”, algo semelhante ao ritual de “lavar as mãos” que os fariseus praticavam, o qual foi objeto da advertência de Jesus.

 

Usamos o termo “natural” para muitas coisas de forma indevida, porque, de certa forma, a humanidade busca de volta um contato com a natureza, que parece ter perdido. Por exemplo, é muito comum ouvir alguém dizer que a Homeopatia é boa porque é “natural”. Essa terapia se utiliza de substâncias da natureza para fazer seus medicamentos, mas elas são dinamizadas, ou seja, diluídas de tal forma que, a depender da dinamização, podemos não encontrar nem mais uma molécula sequer da substância original no medicamento.

 

Se fôssemos utilizar in natura as substâncias utilizadas para produzir medicamentos homeopáticos, muitas delas poderiam nos matar. É o caso, por exemplo, do Arsenicum Album, que é um veneno poderosíssimo, do Lachesis, que é o veneno da cobra Surucucu, ou da Bryonia Alba, que é uma erva tóxica para humanos e animais. O que torna essas substâncias não tóxicas para o ser humano na Homeopatia é o processo de dinamização (diluição), que é uma forma de tecnologia, um conhecimento aplicado à natureza.

 

Curiosamente, os medicamentos que têm as substâncias mais dinamizadas, ou seja, aquelas nas quais não há nenhuma molécula da substância original é que produzem efeitos mais profundos no aspecto mental do paciente e na saúde como um todo. De algum modo, a água retém a “memória” da substância, para produzir no paciente enfermo a cura pelo semelhante. De qualquer forma, há que se ter muito conhecimento sobre o assunto, pois a Homeopatia utilizada sem conhecimento pode gerar catarse e efeitos indesejados.

 

Existem muitas terapias denominadas integrativas que se utilizam de processos ainda pouco compreendidos pela Medicina convencional, o que não significa que sejam inócuas ou que não possam trazer problema para o paciente. Qualquer técnica ou terapia, se for mal aplicada, se for utilizada sem conhecimento, sem formação profissional, pode gerar problemas.

 

Mas o que ressalta dessa busca recente da humanidade pelo que é “natural” é que nossa sociedade moderna, urbanizada, foi-se afastando gradativamente da natureza e, de algum modo, o ser humano se ressente disso. Após a Revolução Científica e a Revolução Industrial, e com o mundo cada vez mais urbano e menos rural, passamos a ter uma percepção distorcida de que a natureza é algo à parte, separada de nós.

 

É muito comum, por exemplo, ouvir pessoas dizerem que irão viajar ou passar férias para poderem “estar em mais contato com a natureza”, porque, nas grandes cidades, a sensação é de que estamos num mundo dominado por monóxido de carbono, poluição sonora, poluição visual, poluição das águas, a sensação de estarmos envolvidos num mundo artificial, criado pelo homem, que, de modo geral, estressa, deprime, adoece.

 

Houve um tempo em que a natureza precisava ser dobrada, manipulada, sujeitada às necessidades humanas, não importando muito o subproduto que os seres humanos devolviam à natureza. Houve um tempo em que parecia que os recursos naturais eram infinitos, prontos para atender a todas as demandas dos seres humanos. Percebemos que isto não é verdade; percebemos que os recursos naturais se esgotam e que o lixo que produzimos no manejo com a natureza volta para nós.

 

No apogeu da mentalidade industrial, os rótulos de produtos alimentícios contendo uma lista sem fim de vitaminas e minerais adicionados artificialmente seduzia o imaginário das pessoas, a tal ponto que muitos consideravam esses alimentos mais saudáveis do que a fruta colhida no pé, do que as hortaliças e os legumes produzidos na horta.

 

Quando o homem pisou pela primeira vez na Lua, o sucesso da tecnologia era de tal modo que se acreditava, pelo menos por um tempo, que o ser humano seria capaz de produzir pílulas para alimentação, contendo todos os nutrientes necessários, todas as vitaminas, os sais minerais, para que um astronauta pudesse se alimentar em suas longas jornadas pelo espaço. É claro que isso não aconteceu, pelo menos ainda não.

 

Durante muito tempo, fomos bombardeados pelas propagandas dos produtos industrializados, sempre sedutoras, mas, aos poucos, fomos nos dando conta do mal que fazem à nossa saúde os refrigerantes, as carnes processadas – salsichas, presuntos, linguiças –, os produtos açucarados, os sorvetes, os salgadinhos, a margarina, as gorduras trans entre tantos outros alimentos. Mesmo assim, é muito difícil mudar nossa alimentação, pois esses produtos são muito saborosos e de fácil preparo para consumo.

 

Perdemos contato com o processo de produção dos alimentos. Muitas crianças não sabem que o leite de caixinha vem da vaca. E muitos adultos desconhecem os processos que fazem com que o leite extraído da vaca hoje possa ter validade de quatro meses. É algo para, no mínimo, desconfiar.

 

Desaprendemos a colocar o pé em contato direto com o chão, a tomar banho de rio, a ter contato real e efetivo com as energias da natureza. Se, antigamente, este seria um discurso místico, hoje já existem pesquisas que indicam a liberação da famosa ocitocina, hormônio do prazer e do amor, quando uma pessoa entra em contato com uma floresta, uma cachoeira ou um lugar natural bonito e acolhedor.

 

Vivemos uma vida mais acostumados aos shoppings, aos ambientes fechados de luz artificial, e nos distanciamos de hábitos simples e sadios, como comer um mamão recém colhido do mamoeiro, uma manga diretamente da mangueira, ou de comer um legume colhido na horta.

 

Nossos ambientes não naturais são tão desinfetados, mas ao não entrarmos em contato com a terra, criamos menos anticorpos para nos protegerem de doenças. Essa cultura que nos levou a evitar contaminações e a viver em grandes centros urbanos nos afastou da natureza, como se fôssemos seres apartados dela, estranhos a ela.

 

Cada vez mais encontramos pais superprotetores, que acreditam estar criando seus filhos em ambientes totalmente assépticos, longe da terra ou da areia dos parquinhos, em ambientes mais controlados como o dos condomínios fechados ou shoppings, mas isso tem por resultado criar filhos com menos saúde mental, porque há uma parcela da saúde que só a natureza pode nos dar. Isto sem contar que a maior aglomeração de crianças em ambientes fechados é mais propícia para propagar viroses e bactérias.

 

Não há dúvidas de que o avanço das indústrias e da Ciência impulsionou o avanço civilizatório e permitiu que o homem dominasse e manipulasse a natureza como nunca antes na história, mas, de forma contraditória, causou um impacto tão grande nesse mundo natural que modificou sua essência, tornando nossa casa, o planeta Terra, um mundo cada vez menos habitável.

 

O progresso da Ciência também gerou alguns efeitos colaterais, como o de suprimir ou relegar à margem da sociedade os conhecimentos tradicionais a respeito do uso de plantas e técnicas que nos ajudam a restaurar a saúde.

 

À medida que esse progresso científico, tecnológico e industrial foi expondo uma grave ferida interna da nossa sociedade, que se expressa na forma de lixo, derramamento de petróleo nos mares, despejamento de gases na atmosfera que causam o aquecimento global, houve, também, um certo desencanto com as maravilhas desse progresso, o que, em certa medida, gerou um movimento de busca por um estilo de vida mais em harmonia com as leis da natureza, assim como a busca por uma alimentação e tratamentos considerados mais “naturais”.

 

Enfim, a busca pela natureza tem uma razão de ser. Ela revela um anseio por uma sociedade menos neurótica, uma sociedade que lide com a natureza de forma sábia, que viva um estilo de vida que seja mais saudável, e que não seja a causa da destruição do próprio habitat e, por conseguinte, da autodestruição.

 

O clamor pelo que é considerado “natural” não é só uma questão de buscarmos uma alimentação mais equilibrada ou tratamentos menos agressivos à saúde. É um desejo íntimo, inconsciente ou consciente, de vivermos mais integrados à natureza da qual nos afastamos, ao lar que nos acolhe, compreendendo que, por mais que avancemos em Ciência e tecnologia, nunca seremos seres apartados do mundo que nos rodeia e do qual somos dependentes.

 


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Perdão

Poema de: Alexandre Paredes 


Perdoar não é esquecer o que alguém lhe fez na sua vida

Esquecer seria algo como amnésia ou perda de memória

Perdoar é superar a dor emocional, curar aquela ferida

Que um dia doeu, mas não dó mais, e agora é só história

 

E há dores tão sofridas que são de algum modo esquecidas

Por intrincados mecanismos de defesa que vigem na mente

Abusos, violências, traumas, torturas, memórias escondidas

Atormentando o sofredor, na psicologia do seu inconsciente

 

Essa forma de esquecimento não é a mesma coisa que perdoar

Essas dores precisam ser lembradas, para serem ressignificadas

Visitar o passado para curar o presente, e do passado se libertar

Aprender com ele e deixá-lo para trás, para trilhar novas estradas

 

Há quem diga que esqueceu, que perdoou e que não dói mais

Mas suas ações revelam outra coisa, uma mágoa consistente

Descrença na felicidade, um ressentimento que não se desfaz

O coração foi embotado, mas não curado, a dor está latente

 

Perdoar não é o mesmo que voltar a conviver com quem o feriu

A gente pode viver com a mesma pessoa, debaixo do mesmo teto

Sofrendo todos os dias a amargura da mágoa que não se extinguiu

Cobrando com juros o descumprimento das juras de amor eterno

 

Porém, é possível abrir mão, perdoar e deixar o outro ir embora

Deixar que o outro siga seu caminho, torcendo pela sua felicidade

E mesmo assim continuar amando-o, só que agora de outra forma

Porque há várias formas de amar, como acontece no amor-amizade

 

Porque a convivência exige respeito, compromisso e reciprocidade

E quando a gente descobre que não pode mais esperar isso de alguém

Talvez não signifique que o amor acabou, mas que não era de verdade

E que talvez a gente estivesse querendo do outro o que ele não tem

 

Então, perdoar nem sempre é voltar a confiar em quem o traiu

Pois é possível perdoar, não sentir mais aquela dor da traição

E, no entanto, não ter mais a confiança que um dia existiu

Confiança é construção que se faz, dia após dia, no coração

 

Ninguém pode exigir confiança, porque ela é uma conquista

E o outro não pode exigir de você o que não fez por merecer

A confiança se conquista por atitudes, e para que ela exista

É preciso não só palavras e promessas, mas o bom proceder

 

Mas também é possível perdoar, de fato, e voltar a conviver

Só que não mais sob as mesmas bases, não mais a velha relação

Após a traição, simbolicamente, a relação anterior já se desfez

É preciso construir uma nova, sob novos alicerces, em novo chão

 

Perdoar não significa que a consequência do mal tenha acabado

Pode ser que o mal que alguém lhe fez não tenha reparação

Alguém que atropelou e matou um ser que lhe era muito caro

Outro, que fez fofoca no trabalho e que resultou numa demissão

 

A dor da ausência continua, bem como a dor do empecilho gerado

Mas ela é aliviada pelo fato de não ter mais o sabor da amargura

Em seu lugar, vem a aceitação, não perco mais energia com o passado

Com mais força para viver o hoje, vivo o novo com alegria mais pura

 

Perdoar não significa endossar o erro do outro, nem seu crime

Pode até ser necessário, mesmo perdoando, acionar a justiça

Para que ele não faça novas vítimas, e desse modo o mal se inibe

Dependendo da ocasião, pode até ser um dever chamar a polícia

 

Quando eu perdoo, não estou dando razão ao que o outro fez

Estou apenas me libertando, não dando mais poder a essa pessoa

Não vivo mais revivendo o fato, não sendo mais dele seu freguês

Sou o mais beneficiado, pois, quando me liberto, minha mente voa

 

Perdoar não é sobre o outro, é sobre mim e o meu coração

Às vezes, o outro nem tem consciência da dor que me causou

E talvez seja uma pessoa que não chegará a essa condição

Mas a vida se encarrega de fazer cada um colher o que plantou

 

A cada um de nós cabe apenas conservar a paz de consciência

Se ou outro me ofende, humilha, desrespeita ou me agride

Revidar não me fará nenhum bem e só gerará mais violência

Se cada um colhe o que planta, o que semear você é que decide

 

Perdoar não é nada fácil; é preciso deixar o ego de lado

Não acontece de uma hora para outra, mas é um processo

Em que, primeiro, é preciso reconhecer que está magoado

Olhar para si mesmo, seu interior, e ser sincero e honesto

 

É necessário reconhecer também que todo mundo erra

Que a gente já machucou, foi injusto, ofendeu ou fez pior

E por isso todos precisamos de misericórdia aqui na Terra

E que perdoar é o que mais nos aproxima do Amor Maior

 


domingo, 2 de fevereiro de 2025

Boa Nova

Letra e Música: Alexandre Paredes


Doce era sua voz
Tinha o céu no seu olhar
Multidões, corações a partilhar
Sua poesia de amor

Posso ouvir sua voz
E sentir suas mãos

A figueira que secou
A pedra que não se atirou
As palavras do monte
São pra nós e não para os sãos

Quero ser sua voz
E também suas mãos
E esse dia virá

Quem já destruiu hoje volta
Quem viveu o amor não mais chora
E a sua palavra parece reviver
E a sua palavra parece reviver
E hoje ainda é boa
E hoje ainda é nova
E hoje ainda renova o ser
E hoje ainda renova o ser...


Quem já destruiu hoje volta
Quem viveu o amor não mais chora
E a sua palavra parece reviver
E a sua palavra parece reviver
E hoje ainda é boa
E hoje ainda é nova
E hoje ainda renova o ser
O ser que vive e que viverá

E a sua palavra parece reviver
E a sua palavra parece reviver
E hoje ainda renova o ser

sábado, 21 de dezembro de 2024

Paciência

Poema de: Alexandre Paredes 









A paciência é a ciência da paz

É a consciência de que a calma

Não vem de fora, ninguém a traz

Mas ela é cultivada em nossa alma

 

Ninguém pode perder a paciência

Porque quem a tem jamais a perde

E se a perde é porque há insuficiência

De fé para suportar o peso que carregue

 

Como encontrar a calma diante da dor

Sem confiar que ela vem para um bem

Sem saber que ela é nosso maior professor

A nos transformar e a nos levar a mais além?

 

A paciência de verdade somente se conquista

Quando a gente entende e não perde de vista

Que a vida tem momentos de alegria e tristeza

Mas que, em tudo, há luz, verdade e beleza

 

Mesmo os momentos mais amargos

São o prenúncio de dias mais felizes

Que todas as vivências são aprendizados

E as dores de hoje se tornarão cicatrizes

 

Quem vive a paciência sabe que tudo passa

Mas sabe também que é preciso viver o agora

Que o presente é dádiva, bênção, uma graça

E sem vivê-lo plenamente, ele não vai embora

 

A ciência da paz é escolher a paz a cada dia

E saber que ela só vem tendo o bem como guia

É ter ciência de que ela não é a linha de chegada

Mas, sim, como a gente faz a nossa caminhada

 

Viver com paciência é não desperdiçar energia

Com aquilo que não está em nossas mãos mudar

É discernir o que pode ser mudado com sabedoria

Mas, para a sementeira crescer, é preciso esperar

 

Esperar não é o mesmo que não fazer nada

Mas entender que em tudo tem a nossa parte

E tem também aquela parte que não nos cabe

Agindo com esperança sem abandonar a escalada

  

A força da paciência é maior que a força da força

Não força, espera, não revida, perdoa, liberta

Avança no bem, silencia diante do mal que se ouça

Age com amor, luta com fervor, mas sem fazer guerra

 

Você pode perguntar onde deve estar a receita de bolo

Para conquistar a paciência nesse mundo tão atribulado

Ora, busque sempre a paciência todos os dias e o dia todo

Que um dia, após tanto esforço, ela andará ao seu lado